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Ceará pode ter crescimento chinês em 2010

Indicador promissor depende do andamento do PAC, do aumento do consumo das famílias e de investimentos

Ancorado na alavancagem dos grandes empreendimentos estruturantes em desenvolvimento no Estado, no cumprimento do cronograma do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e no otimismo peculiar que norteia o dia a dia da indústria cearense, o empresário e presidente da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), Roberto Macêdo, avalia que "podemos perseguir para 2010 um crescimento "chinês" para o Ceará", acima dos 7%.

O otimismo tem por base ainda, o ano eleitoral, período em que normalmente os líderes dos governos estaduais e Federal carreiam para estados e municípios grandes somas de recursos.

"O atual panorama de recuperação da economia, em 2010,aponta um crescimento do PIB do Brasil, rompendo a barreira dos 5%. O crescimento do PIB cearense é estimado entre 6% e 7%", sinaliza Macêdo. Ele ressalta que esses índices dependem, em grande parte, do andamento do PAC, do aumento do consumo das famílias e de maciços investimentos públicos e privados, nacionais e estrangeiros. " Para se ter uma ideia do que já está acontecendo, o setor da construção civil deve continuar com taxas elevadas de crescimento, uma vez que o governador Cid Gomes, além do seu programa de investimentos em estradas, escolas e hospitais, conseguiu a garantia de que o Ceará construirá 8% do total de residências do Programa Minha Casa Minha Vida, com investimentos de R$ 75 milhões, nos municípios cearenses", declarou o presidente da Fiec.

Para consolidar os resultados almejados, Macêdo aposta no início, ainda este ano, das obras estruturantes no Estado, a exemplo da Refinaria da Petrobras e Siderúrgica de Pecém.

Ele cita, ainda, a ampliação do Porto do Pecém, a dragagem e construção de um pier de passageiros no Porto do Mucuripe, a aceleração das obras do Pecém e da Ferrovia Transnordestina, bem como a conclusão do Centro de Feiras e Eventos e o funcionamento de usinas termelétricas e eólicas - "que colocarão o Estado na condição de auto suficiência, na geração, e de exportador de energia".

Estaleiro

"Quanto ao Estaleiro(Promar Ceará), Macêdo afirma defender a instalação no empreendimento no Estado, mas prefere se abster de opinar sobre a localização, "antes de conhecer o projeto". No âmbito nacional, ele aposta no incremento dos investimentos em torno de 14%, em 2010, determinados pela utilização da capacidade instalada da indústria, na confiança do empresariado e na disponibilidade de financiamentos. Dados do Banco Central corroboram o otimismo, a partir da perspectiva de aumento de 50%, ou seja de US$ 25 bilhões para US$ 37 bilhões nos investimentos estrangeiros no País, este ano.

Pé no Chão

Ao discursar para um grupo de jornalistas, para empresários e representantes de empresas de comunicação no Estado, durante confraternização anual na Casa da Indústria, Macêdo ressalta que não está deslumbrado com o crescimento do Estado e do País. "Para que tudo isso aconteça na dimensão e dentro do cronograma previsto, nós empresários, juntamente com o governo e as instituições de ensino, temos que superar as deficiências no que se refere à qualidade da educação e à qualificação da mão-de-obra", adverte.

"Já estamos com deficiência de mão-de-obra especializada em vários setores", alerta Macêdo, lembrando que já faltam no mercado operários para os setores meta mecânico (soldadores, funileiros, operadores de máquinas) e da construção civil (pedreiros, carpinteiros, ferreiros e mestres de obras). "Temos consciência da urgência das medidas a serem adotadas para suprirmos a demanda de mão-de-obra especializada", reconhece o titular da Fiec, ao cobrar do segmento empresarial maiores responsabilidades e iniciativa nesse sentido.

APESAR DA CRISE
Indústria do Estado se expandiu 1% em 2009

A expectativa positiva para o crescimento do Estado em 2010 não está baseada apenas no que há por vir, mas também nos resultados auferidos no ano passado. Apesar de o setor industrial brasileiro amargar contração de 4,5% e queda de 26,61% nas exportações, a indústria cearense registrou crescimento de 1%. "Parece pouco, mas é de grande significado, diante do que se constatou nos demais estados", ponderou Roberto Macedo, ao fazer um balanço sobre os resultados do setor e da economia do Ceará, em 2009.

"Enquanto o PIB (Produto Interno Bruto) do Ceará cresceu 2,8%, o do País foi de 0,2%, em 2009", registrou o presidente da Fiec, lembrando das dificuldades enfrentadas no fim de 2008 e início do passado. Para Macedo, o acerto nas políticas monetárias, creditícias e fiscais possibilitou a recuperação no segundo semestre, sustentada pelo consumo interno.

Ele reconhece que as exportações cearenses caíram 15,3%, em 2009, ante 2008, mas em níveis menores do que o verificado no âmbito nacional, que recuaram 22,7%, no mesmo período. Em contrapartida a queda nas exportações, a pauta de produtos exportados elevou-se 19%, no ano passado, em relação ao ano anterior.

Comparando as vendas totais da indústria de transformação, entre os período de janeiro a novembro de 2009, ante o mesmo intervalo em 2008, o setor registrou crescimento de 17,59%.

Paralelamente, o total de pessoal empregado cresceu 7,67%, as horas trabalhadas, 10,48% e a remuneração paga aos trabalhadores, 12,22%, no período em análise.

Capacitação

Para fortalecer o setor industrial e apoiar a concretização dos empreendimentos no Estado, Macêdo informa que o Sistema Fiec vai ampliar os investimentos em novos equipamentos e na reforma de unidades de treinamento e capacitação. "Vamos implantar o Centro Integrado Sesi/Senai de Sobral, com investimentos de R$ 12 milhões e ampliar a escola Senai de Maracanaú, com recursos da ordem de R$ 1,5 milhão", sinalizou. O Senai anuncia a matrícula de 35.996 pessoas em educação profissional e Sesi promete atender a 35.535 em educação básica. (CE)
14/02/2010

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