Notícias do mercado imobiliário

Obras industriais se propagam no Nordeste

Crescimento do consumo decorrente do desenvolvimento de políticas públicas e do aumento do salário mínimo são alguns dos motivos que atraem empresas de produtos e serviços.
Com o aumento do consumo na região Nordeste decorrente dos benefícios promovidos pela política federal, como o Bolsa Família, aumento do salário mínimo e das políticas públicas de saúde e educação ocorreu, por volta do ano de 2000, uma primeira onda de indústrias que ali se instalaram para atender ao consumo crescente. “Houve uma incorporação do mercado nordestino no consumo nacional. Naquele momento, todas as grandes empresas do Sudeste, principalmente paulistas e cariocas, correram para lá”, afirma Cícero Péricles, economista e professor da Universidade Federal de Alagoas e doutor em economia regional. Paralelamente, cresceu também o setor de serviços. “E uma segunda onda, mais recente, é a vinda de indústrias por uma opção estratégica de localização e logística, como Petrobrás, empresas de energia eólica, automobilística e estaleiros”, acrescenta.

De acordo com informações obtidas pela Rede de Obras, ferramenta de pesquisa da e-Construmarket –, estão previstas na região Nordeste 138 indústrias, além das 50 já em andamento. O estado que apresenta o maior número de projetos e obras é Pernambuco, com 70, seguido da Bahia, com 48, e Ceará com 24. É, hoje, a terceira região que mais cresce no país em número de obras industriais – ranking liderado pela Sudeste com 348 e Sul com 227.

Existe uma característica predominante em todas as obras industriais que estão sendo desenvolvidas no Nordeste. Segundo Péricles, a maioria está concentrada em três pólos principais: Complexo Industrial e Portuário do Pecém, em São Gonçalo do Amarante, no Ceará; Complexo Industrial Portuário de Suape, em Ipojuca, na região metropolitana do Recife, Pernambuco; e o Pólo de Camaçari, na região metropolitana de Salvador, Bahia. “Tradicionalmente, a economia nordestina se desenvolveu ao redor do litoral. Ou seja, 80% da economia alagoana, por exemplo, fica na faixa litorânea, também chamada de zona da Mata Nordestina, que se estende do Rio Grande do Norte até a Bahia, passando pelos estados da Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe, e concentrada nas capitais”.
CONSUMO
De acordo com o economista, a década recente foi o grande momento de investimento de indústrias no Nordeste. “Por ser uma das regiões mais pobres do país e que vem sendo beneficiada pela política federal de desenvolvimento, os impactos na economia são muito maiores. Junto com o pacote do Bolsa Família, da Previdência Social, da política pública de saúde e educação, tem um elemento detonador que foi o aumento do salário mínimo. Ele saltou de R$ 200 de janeiro de 2002 para R$ 722,90 até o momento”, comenta.
Ingredientes que levaram ao aumento do consumo e à consequente instalação de indústrias na região. “A Bauducco, por exemplo, quando percebe que o nordestino está consumindo muito biscoito, vem para cá e monta sua fábrica em Alagoas. Afinal, não é interessante trazer os produtos de São Paulo”, exemplifica Péricles, lembrando que esse mercado é maior que o da Argentina, Paraguai e Uruguai juntos, e com a vantagem de não ter barreiras de importação e exportação.
Nesse momento, o Nordeste começa a obter taxas de crescimento mais altas que a média nacional. E o doutor diz: “Os paulistas agradecem todas as vezes que aumenta o salário mínimo, que está vinculado ao Bolsa Família, porque assim aumenta o consumo de produtos industriais como televisão, geladeira, roupas, calçados entre outros”. Só para se ter uma ideia, a renda da população nordestina triplicou de 2002 até hoje. Anteriormente era de R$ 500 e passou para R$ 1500. “Essa renda tem uma característica específica, tem uma demanda reprimida por comida, roupa, transporte, tudo”, completa.
INFRAESTRUTURA
Outro movimento na região é a chegada de indústrias com investimentos de longa maturação, que irão demorar um tempo maior para ficarem prontas, motivadas pela localização geográfica privilegiada. “O Nordeste é mais próximo dos mercados consumidores internacionais e vem sofrendo muitas melhorias também em sua infraestrutura como estradas, portos e aeroportos, o que atrai ainda mais os investidores”, diz Péricles. E reforça: “A região metropolitana do Recife, por exemplo, tem um produto interno bruto maior do que Paraíba, Sergipe e Alagoas somadas. Portanto, é uma região rica, assim como Fortaleza e a região metropolitana de Salvador que concentram muita renda”.
24/09/2014

Últimas notícias